domingo, 7 de novembro de 2010

Bem lembrado e mal contado

wallis-simpson
Deu no Globo que Dilma Roussef não é realmente a primeira mulher a governar o Brasil. Antes dela a Princesa Isabel e a Imperatriz Leopoldina já haviam estado à frente do governo brasileiro como regentes. Ambas eram muito queridas pelo povo. D. Leopoldina durante o 7 de setembro, e a Princesa Isabel em três ocasiões de ausência de D. Pedro II, sendo que em uma delas, durante quase 4 anos, período de um mandato presidencial.
Só que consultaram um autor da biografia da Princesa Isabel  que afirmou que esta exercia o poder a contragosto. Bem, a mesma crítica foi feita a D. Pedro II, que a posteridade respeita e muito. Os jornais da época diziam que D. Pedro II tinha mais interesse em ler revistas científicas e em escrever sonetos do que em governar. Muitas vezes o monarca com menos apetite pelo poder, paradoxalmente torna-se o melhor monarca. O pai da atual rainha da Inglaterra, Rei Jorge VI, e sua esposa, Elizabeth, a falecida rainha-mãe, foram considerados inadequados após assumirem o trono pela renúncia do irmão Edward VIII, que insistia em se casar com a americana divorciada Wallis Simpson. Edward tinha todos os atributos de monarca que pareciam faltar ao irmão. Repito, pareciam. Jorge era considerado inseguro e nervoso (fumava sem parar)  e Elizabeth, meio simples e “matrona”. MAS A VERDADE É QUE SÓ O TEMPO MOSTRA A VERDADE. Quando Hitler subiu ao poder na Alemanha, Edward e Wallis, seduzidos por suas idéias, foram ao seu encontro, e as câmeras registraram um Hitler curvado e encantado diante do casal. Depois veio a guerra e ai...bem, aí tudo mudou.
Edward, arrependido, suplicou para ingressar nas forças armadas britânicas como combatente. Só que a infeliz foto sufocava a realeza e todos os britânicos que levavam bombas na cabeça todas as noites. O governo não lhe deu nenhum cargo oficial e acharam melhor afastá-lo da Europa, mandando-o para as Bahamas. E mais, durante os bombardeios, os alemães jogaram uma bomba ou dentro, ou muito próximo ao Palácio de Buckingham, colocando em risco toda a família real. O Parlamento, preocupado,  insistiu para que as princesas Elizabeth e Margareth, então crianças, fossem enviadas para um local seguro no Canadá. Então aquela mulher que foi considerada “simples demais" para ser consorte do rei disse uma frase que os ingleses jamais esqueceriam: “O REI NUNCA SE AFASTARÁ DA INGLATERRA, EU NUNCA ME AFASTAREI DO REI, E MINHAS FILHAS NUNCA SE AFASTARÃO DE MIM!”.
Além disso, o Rei George e Elizabeth, Rainha-Mãe, visitavam freqüentemente os escombros deixados pelos bombardeios nazistas para levantar o ânimo do povo londrino.




O resto é história. O povo britânico jamais esqueceu a foto e lembrou sempre da frase. Edward e Wallis passaram o resto da vida na França, esquecidos, e a Rainha-mãe foi reverenciada pelo resto de sua longa vida, até falecer com 101 anos.
O que tem isso a haver com a Princesa Isabel e D. Pedro II? Tudo. A História nos mostra que, por vezes, herdeiros que pareciam ter menos perfil e menor apetite pelo poder foram os que melhor governaram.



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