quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A maconha, o conservador e a falácia do “todo mundo”

Noticiado hoje: em plebiscito na Califórnia, os participantes rejeitaram a legalização da maconha. No último programa “Manhattan Connection”, o inteligente Diogo Mainardi disse que quando esteve na Califórnia viu “todo mundo” fumando maconha. Bem, agora este plebiscito mostrou que o que ele viu como todo mundo não era realmente todo mundo. Engraçado que esta expressão é muito comum, é usada com grande freqüência na linguagem falada do brasileiro. Mas prestem bem atenção ao contexto: são pessoas que geralmente querem impingir uma idéia de fundo controverso e geralmente falacioso. “Ah, isso parece errado, mas todo mundo faz…” E olha que o plebiscito foi feito em um dos estados mais liberais dos Estados Unidos, e foi feito apenas porque o estado está desesperadamente necessitado de dinheiro. Estão com uma dívida que ninguém sabe como pagar. Mas a verdade é que ninguém conhece ou sabe quem é mundo. Se não o fez até agora, passe a desconfiar de quem usa a expressão.  Quando acontecem eleições ou plebiscitos, aí sim, aparece a verdade. Tenho que concordar com FHC (acho que foi ele quem disse) “não existem drogas leves, são todas perigosas.

Repassando a proposta americana: “A Proposta 19 previa a legalização da posse de até 28 gramas de maconha, o uso em locais privados e o plantio de até 2,3 metros quadrados da erva para pessoas acima dos 21 anos de idade. O referendo - realizado juntamente com as eleições parlamentares americanas - chamou a atenção do país inteiro porque criaria um incompatibilidade entre a legislação estadual e a legislação federal sobre a questão. No mês passado, o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holden, disse que "aplicaria vigorosamente" a lei federal em relação à maconha na Califórnia, mesmo que a proposta 19 fosse aprovada."Hoje, os californianos reconheceram que legalizar a maconha não vai tornar nossos cidadãos mais saudáveis, resolver o problema orçamentário da Califórnia ou reduzir a violência ligada às drogas no México", declarou o diretor para Política de Drogas da Casa Branca, Gil Kerlikowske, após a divulgação dos primeiros resultados. "O governo Obama foi claro em sua oposição à legalização da maconha porque pesquisas revelam que o uso de maconha está associado a internações voluntárias para tratamento de vícios, acidentes fatais sob influência de drogas, doença mental e admissão em setores de emergência nos hospitais." (Google News/Estadão)

Isso mostra que deveríamos usar mais a de Nixon: “a maioria silenciosa”, geralmente conservadora, infelizmente um tanto preguiçosa, não gosta de brigas, discussões, não se engaja como militante em causa nenhuma, mas que implementa as grandes decisões quando  consultada em plebiscitos. Deveríamos usar com mais freqüência a prática saudável do plebiscito, principalmente agora que temos a urna eletrônica. Segundo me disse um mesário, as filas acontecem apenas para eleição de muitos cargos e as pessoas se atrapalham procurando os números de seus políticos; mas quando é um ou outro, sim ou não, é rapidíssimo. Aí sim, teríamos decisões legítimas, democráticas e incontestáveis.

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