quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Dalva, Herivelto e D. Pedro II




Eu já sabia deste fato, mas creio que muitos brasileiros não sabem, principalmente considerando-se que a Rede Globo, que realizou uma bela minissérie sobre a vida da cantora, "Dalva e Herivelto", não o mencionou. Não é um fato irrelevante, foi para a cantora motivo de muito orgulho, e a rainha não era obscura, era a Rainha da Inglaterra. A minissérie, atendo-se sempre às brigas e intrigas amorosas, como sendo os únicos fatos interessantes para o público, também não mencionou um outro episódio importante. Refere-se à composição de Herivelto Martins "Ave-Maria no Morro". Segundo Peri Ribeiro, filho do casal, em seu livro "Minhas Duas Estrelas", Villa Lobos teria ficado fascinado com a melodia, e incentivado muito Herivelto Martins a estudar música erudita, pois segundo ele, "eu passei a minha vida inteira estudando música clássica e não sou capaz de compor uma Ave-Maria como a sua". Herivelto não conhecia a notação musical. Compunha apenas de memória e de ouvido. Alguém tinha que memorizar o que compunha para ele não esquecer. Dalva, com excelente ouvido, fez muito este papel, enquanto foram casados.


Dalva, no início da sua carreira, também havia sido aconselhada a tentar o canto lírico, pelo belo vibrato e extensão natural de sua voz. Mas o canto lírico requer anos de treinamento e Dalva, uma simples faxineira, precisava de dinheiro imediato, o que só o popular poderia lhe render.
Ambos eram cidadãos da Republica, e não tinham alguém como D. Pedro II, que, entusiasmadíssimo com Carlos Gomes, quis logo financiar seus estudo, não aqui, mas na Europa, pensando primeiro, inclusive, em enviá-lo para Baireuth, onde pontificava Wagner (!!!), mas a Imperatriz Teresa Cristina, que entendia muito de canto (creio que ela mesma tinha uma voz educada para o canto lírico), preferiu a Itália. D. Pedro enviou carta de recomendação ao Rei Fernando, de Portugal, solicitando que apresentasse Carlos Gomes ao Diretor do Conservatório de Milão. O resultado é que Carlos Gomes permanece até hoje como o único grande compositor de óperas brasileiro. D. Pedro II  ainda tranquilizou Carlos Gomes prometendo amparar seu pai, muito pobre, dando-lhe um emprego. Parece que C. Gomes agradeceu chorando de emoção.
Antes de D. Pedro, seu avô, D. João VI, já havia dado todo apoio possível e impossível ao Pe. José Maurício. 
Em tempo. Parece que não foi só Villa Lobos que se impressionou com a beleza da  "Ave-Maria" de Herivelto. Vi em tempos recentes o célebre tenor lírico Andrea Bocelli cantá-la na TV, traduzida para o italiano, em que substituíram o "morro", por uma "aldeia muito pobre" da Itália, tentando manter o espírito da letra. 
Será que alguém pensa nisso? Será que alguém se lembra disso?  
Se os próprios roteiristas da Globo, que trabalham com ajudantes, ao fazerem a minissérie, passaram ao largo destes fatos, creio que muito poucos. Não estou "insinuando" que só a realeza incentiva a grande arte. Creio que posso afirmar isso tranquilamente, uma vez que os próprios fatos o comprovam de forma tão clara e inequívoca.

FILIE-SE AO UM CÍRCULO MONÁRQUICO! 

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