segunda-feira, 28 de março de 2011

E dizer que o Brasil já produziu isso...!


s
(Kyrie da Missa N. Sra. da Conceição)
E MAIS ISSO: 

Glória da "Missa Diamantina" 
Em termos artísticos, sem comentários...

Dizer o quê?

 Talvez perguntar à Carla Camurati, ou aos diretores e atores que reduziram a imagem de D. João VI à de um monarca caricato, se eles sabem que a espantosa fertilidade de Padre José Maurício, hoje orgulho da cultura nacional para quem entende de música erudita, (supõe-se a C. Camurati  entenda, pelo menos um pouco, já que foi indicada para Diretora do Teatro Municipal do Rio de Janeiro) deveu-se, é claro, ao talento natural do próprio José Mauríco, mas também a outros fatos, sem os quais talvez este talento não frutificasse da mesma forma, por razões óbvias, uma vez que a sobrevivência financeira dos artistas sempre foi problemática. Vamos aos fatos:
Em 1808, a chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro muda o panorama artístico da cidade. Padre José Maurício Nunes Garcia cai nas graças do Príncipe Regente D. João VI, grande admirador de música, que  indo contra os preconceitos de alguns músicos portugueses que não queriam trabalhar com alguém com "defeito de cor", conforme a expressão da época, o nomeia mestre da Capela Real, recém-criada nos moldes da que existia na corte de Lisboa e formada por músicos locais e europeus.  
Em 1809, D. João VI condecora-o com o Hábito da Ordem de Cristo, sinal da grande estima que tinha pelo músico. Indicado Mestre de Capela da Corte e arquivista real , teve acesso à importante biblioteca musical da Casa de Bragança, que Dom João trouxe consigo, o que contribuiu para sua instrução e para o acesso a uma maior variedade de gêneros musicais trabalhados e ao conhecimento da obra de grandes mestres europeus como Mozart e Haydn. Em 1811 chega à corte Marcos Portugal, o compositor português mais famoso do seu tempo. A fama do recém-chegado leva D. João VI a pôr Marcos Portugal à frente da Capela Real, substituindo Pe. José Maurício. O brasileiro continua, porém, a ser custeado pelo governo e a compor novas obras para a Capela Real. Compôs em 1809 a Missa de São Pedro de Alcântara, em homenagem ao futuro imperador do Brasil, e, em 1816, um Requiem para o funeral de D. Maria I. Ao todo, Padre José Maurício compôs 26 missas, quatro missas de Requiem, responsórios, matinas, vésperas, um Miserere, um Stabat Mater, um Te Deum, hinos, modinhas e pequenas peças profanas. 
Esteve no Brasil o então célebre compositor austríaco Sigismund Neukkomm, um dos alunos prediletos de Haydn, que o escolheu inclusive para trabalhar consigo nas tarefas de  orquestrar e arranjar para piano várias de suas próprias peças. Segundo Araújo Porto Alegre, Neukkom  teria dito em 1853 que considerava Pe. José Maurício 
“o maior improvisador do mundo. E os brasileiros nunca souberam o valor do homem que tinham, valor tanto mais precioso, pois era fruto dos seus próprios recursos.”  
Antes de sua volta a Portugal, D. João VI presenteou-o com uma tabaqueira preciosa, em sinal de sua estima pelo músico, que tanto protegera.
Carla Camurati, em sua "chanchada histórica" teve como objetivo principal fazer o público rir. Fazer rir não deixa de ser um objetivo louvável. É uma tentativa de alegrar o ser humano por 1 ou 2 horas, antes que ele volte à sua própria realidade, geralmente não tão engraçada. Mas será que não existem outros objetivos igualmente louváveis? Como, como por exemplo, ilustrar o povo brasileiro, com indicadores tão  baixos no quesito educação, sobre a sua verdadeira História, sobre a realidade do seu passado? Dizem que o povo que não estuda o seu passado está condenado a repetir os mesmos erros que nele ocorreram. Essa frase é tão repetida por tantos, tantas vezes, no Brasil e no exterior, que deve conter alguma verdade. 
Em tempo, leio no "Monarquia Já", um dos blogs que sigo, que foi lançada uma exposição virtual 
D. João VI - O Papel de um Legado

Slide Musical sobre Pe. José Maurício de minha autoria












 

Um comentário:

  1. Excelente texto!
    Uma nação que não valoriza o seu legado cultural é uma nação que não se respeita e que manda às urtigas a dignidade da sua identidade.

    Salutas!

    ResponderExcluir