domingo, 17 de abril de 2011

Bulying II e o país de leis que "não pegam"

 
Francamente não sei se existe este fenômeno de "leis que não pegam" em outros países. Até deve existir, mas em diferentes medidas. Pelo que escutei, o ex-Prefeito de Nova York Rudolph Julliani angariou uma popularidade sem precedentes por ter "saneado" (latus sensus) a cidade de Nova Iorque, melhorando em muito a qualidade de vida. Seus críticos dizem que ele não resolveu realmente problemas, simplesmente "entupiu" as cadeias. Ao invés de criar novas leis, ele usou as antigas, com muito mais rigor. Chegou a entrar nas primárias para presidente da república. Não venceu porque realmente havia candidatos mais fortes.
Enquanto isso, aqui no Brasil, debatemo-nos com um fenômeno curioso: leis que "não pegam". Eu havia escrito em um post que o bulying não melhoraria a não ser que fosse criminalizado. Pois bem, deu hoje no Globo (papel) em manchete de primeira página que
Bem, parece que alguns patriotas com senso de moral já haviam tomado algumas medidas no sentido de que este problema não poderia ser simplesmente ignorado. Mas o que aconteceu? A lei "não pegou".
Se houvesse denúncias, os culpados poderiam ser pelo menos fichados, o que não é bom para nenhum cidadão, porque creio que pode perder as prerrogativas de réu primário. Qualquer delito futuro em que se envolva perante a polícia se torna mais grave porque ele tem aquilo que se chama "antecedentes". 
Eu gosto de assistir a documentários sobre casos levados a tribunais e pasmem, os jurados americanos estão sendo extremamente rigorosos com réus menores de idade. É como se de certa forma pensassem assim: "se ele ainda criança já está fazendo isso, imagine quando se tornar homem, será pior ainda!"
Exemplo:um grupo de adolescente jogou pedras na janela de um oficial da marinha negro, enquanto este dormia em casa com a mulher e duas filhas. O oficial pegou uma arma, abriu a porta e matou o rapaz. Sentença: inocentaram o oficial porque entenderam que, ao escutar o estrondo da janela sendo quebrada, ele tinha direito de sentir que as vidas dele e de sua família estavam sendo ameaçadas e não teria nem obrigação nem tempo de verificar se entre os cacos havia balas de revólver ou simples pedras. Ao escutar o veredito de inocente por legítima defesa, a mãe do rapaz disse "meu filho morreu por causa de uma janela de 80 dólares!" Mas a comunidade local inteira, branca e negra, apoiou o veredito pois entendeu que a sentença mandaria uma mensagem ao "bullies": não pensem que vão passar a mão na cabeça de vocês por serem menores". São perigosos para uns, e péssima influência para outros. Quem quer este tipo exercendo influência sobre seu filho?
Já temos alguma lei implementada, como diz o artigo acima. Mas o que fazer em um país onde às vezes a lei simplesmente "não pega". Aí, caro leitor, não adianta culpar o governo, que já fez a sua parte. Mais honesto seria ficar chorando e jogando cinzas sobre a própria cabeça, como faziam os antigos gregos, diante da dor e  da tragédia . 

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