sábado, 16 de abril de 2011

Paradoxos II: o Império brasileiro cai no auge de sua popularidade


 
Como escutei outro dia na TV, a queda do Império brasileiro se deu no auge de sua popularidade: após a Abolição da Escravatura. Neste movimento participaram não apenas uma importante intelectualidade negro-mestiça (José do Patrocínio, André Rebouças, Vicente de Sousa e outros), mas também artistas de teatro.  E não apenas nacionais, mas, talvez muitos brasileiros ignorem, até estrangeiros de renome mundial. Esta aliança foi muito importante porque, com a aproximação do teatro, a campanha abolicionista saiu da esfera puramente política e firmou-se como movimento verdadeiramente popular, ampliando a capacidade de pressão contra a elite escravocrata.

Foram criados os famosos "benefícios abolicionistas", espetáculos cuja renda revertia não para um ator específico, mas para a libertação de escravos. Os escravos beneficiados eram libertados no final do espetáculo, sempre em cena aberta, ao vivo, levando a emoção do público ao paroxismo. Ainda há muito que pesquisar, mas existe uma lista bastante confiável de estrelas mundialmente famosas que deram "benefícios abolicionistas" e libertaram escravos em cena aberta.

Entre as grandes cantoras de ópera, a estrela russa Nadinha Bulicioff, que ao final de sua temporada no Rio de Janeiro, libertou nada menos que sete escravas jovens em concorridíssimo benefício, com a presença em peso da alta sociedade e do próprio Imperador Dom Pedro II.

Ou seja, quando D. Pedro II e a Princesa Isabel estavam galgando o último degrau no sentido de nos elevar à categoria de um país verdadeiramente civilizado e de primeiro mundo, sem escravos, veio um golpe militar, o primeiro, o primeiro de tantos outros que marcaram a trajetória de nossa república, tumultuada, imprevisível, cheia de altos e baixos, cada vez mais para baixo, em direção ao terceiro mundo.

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